Espasmo de uma despedida de solteiro

Na madrugada, véspera do enlace:

“Eu queria ir pra sua casa, ou queria que você estivesse acordada agora. Acabo de chegar do puteiro.

Dessa vez foi mais legal que a outra. Fiquei mais tempo com meus amigos antes de uma desconhecida qualquer me chamar de lindo e me puxar prum quarto. Sim, comi outra puta. Dessa vez foi presente do amigo da época da escola.

Mas antes de chegar lá, tivemos, os machos, uns momentos de flerte. Várias delas mandando sinais, chame, olhares. E aí pensei em você pela primeira vez.

Pensei em você porque tinha umas garotas bem gostosas, mas que não eram você. Não tinham seu corpo, seu cabelo, seu olhar, seu charme. Eram umas delícias, mas o que eu queria mesmo era VOCÊ ali, vestida de puta e reservada pra mim.

Queria você de microvestido e salto alto, toda oferecida. Até ia deixar os caras pensarem que você estava disponível. Mas quem ia te “arrastar” seria eu.

Bom, aí subi, inevitavelmente. Não sei se você já passou a mão numa puta. Mas se não passou, nem passe.

O corpo de todas tem o mesmo cheiro. Que não dá bem pra explicar como é, mas imagine o cheiro de uma Barbie, misturado com o de bebida e buceta. Você é bem mais cheirosa.

O tamanho e a textura da bunda também não difere muito: cabe na mão, é meio gelada e parece não ter vivência, história. A mesma descrição vale para os seios, raramente livres de silicone.

No fim das contas, resumi nosso encontro contando que ia casar com uma delícia de mulher, que adoraria estar ali.

Ela vibrou. Falou até que queria te conhecer e te beijar. Eu disse que ela não daria conta.

Eu acho que ela acreditou em mim: largou meu pau mole, levantou, se vestiu e deu tchau.

Acabou minha meia hora. Ainda bem.
Enviada do meu iPhone”

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A verdade sobre as 5 coisas que todo homem quer na cama

Pela 4858493948 ésima vez seguida passei os olhos por um texto cujo título garantia : “5 coisas que todo homem quer na cama”.

Fico sempre com a sensação que a ideia por trás desse tipo de texto é oferecer para as mulheres algum tipo de ferramenta para elas fazerem os homens quererem o que elas querem que eles queiram.

Claro que isso geralmente sai desses sites e revistas femininos (???!!!) e que os outros tantos textos como este que já vi têm a mesma origem ou uma muito parecida (ugh!).

Então eu pensei que já que também tenho diploma de jornalista (juro, essas listas são consideradas matérias e são assinadas por portadoras de MTB), isso me qualifica pra fazer minha própria lista.

Ah, o fato de eu já ter saído com cinco homens também ajudou, claro! E não. Se você der ao seu homem a paz que ele quer pra querer as coisas que ele quer, ele não vai passar a querer as coisas que você quer que ele queira. Eu sei, frustrante.

São elas (as coisas):

1 – Dormir depois do sexo.

Gente, sejamos honestas. Não é porque você não pendura no lustre ou porque sua calcinha não era aquele fio dental perverso e menos ainda porque não te acha gostosa ou não te ama que o cara vira pro lado e dorme depois de gozar. É PORQUE ELE ESTÁ SATISFEITO! Quem nunca teve vontade de tirar uma soneca depois do almoço de domingo? É a mesma coisa.

2 – Desvencilhar da conchinha em 10 minutos.

Tooooodo mundo gosta de dar aquela encoxadinha gostosa pra dormir. Às vezes. Um pouquinho. Não da pra passar oito horas na mesma posição. Nem com o cabelo da gata provocando coceira no nariz do gato. Nem com o braço sob o corpo da gata (circulação, gente!). E ó: não querer dormir agarrado feito bicho preguiça no galho da árvore também não quer dizer que o fofo não tem tesão por você ou que ele não te ame. Às vezes é só calor.

 3 – Poder tomar uma cerveja, comer um Doritos ou fumar um cigarro.

 É homem, gente! Tá nem aí se vai cair migalha no lençol. Se o quarto vai ficar cheirando mal ou se a garrafa da long neck vai estar ao lado da cama com aquele odor insuportável de cerveja do dia anterior bem no nariz dele. Afinal, ele é um “guerreiro”, acabou de te dar o prazer máximo! Tem o direito de curtir um momento macho. Cafuné é coisa de mulherzinha!

 4 – Receber cafuné

 Pois é. Eu sei que parece que eles são insensíveis e não gostam. Não é verdade. Quando sentem as pontas dos dedos pelo seu couro cabeludo, costas, peito e etc, ficam dóceis que só falta ronronarem. O problema é terem que fazer, não receber! E isso os leva direto para o primeiro desejo da lista.

 5 – Paz, silêncio e escuridão

 Sim. Depois de uma noite de sexo, nada de acordar o gato com barulho de porta de armário, salto alto estalando no assoalho pra lá e pra cá e nem de abrir a janela com aquele sorriso de mulher bem comida. Ele não quer te dar atenção. Quer que você fique de boa, faça silêncio, seja macia e espere pacientemente a próxima rodada.

Das coisas pequenas

Nasceu a decisão de prolongar a primeira, de me resignar diante da observação quase ingênua, de aceitar que às vezes as borboletas preferem repousar a voar, de entender as ordens que o organismo dá e se contentar com um cheiro no travesseiro, de saborear o mau humor como se fosse um afago, de perceber que a lembrança através de uma música é muito mais que um afago, de sentir que estar empatada em primeiro é melhor do que estar sobre todas as outras coisas, de constatar que está em primeiro – empatada com todas as outras coisas, de ter orgulho da escolha diária, da certeza que só tem amanhã enquanto esse for o desejo mais honesto, da ordem crescente para tudo, de aproveitar o que ficou de todo o resto para ser melhor aqui, de não ceder às artimanhas que a própria cabeça tem, de abrir sem precisar entregar pedaços, de guardar a raiva até ela se transformar em bem de novo, de ser feliz por ver feliz, de respeitar o mais antigo dos remédios, até entrar pelos ouvidos a declaração mais esperada e, por fim vencida, descobrir que o coração já o sabia havia muito.

Vai tomar no cu

Para alguns é ofensa, mas para a grande maioria eu considero que o ‘vai tomar no cu’ pode ser libertador. Nem faz mesmo tanta diferença se o interlocutor recebeu a mensagem – a direta e todo o argumento implícito no conjunto de quatro palavras.

Incrédula, uma pessoa pode soltar um sonoro ‘ah, vai tomar no cu’ no lugar de um ‘não é possível!’.

Muitas vezes, o ‘vai tomar no cu’ é só um ‘vai tomar no cu’.

O lance é que a sonoridade do cu gera um alerta. Fica ecoando ali: ‘u… u…u…’, às vezes por horas. Semanas, anos…

Sem titubear, enchi os pulmões de ar – o estômago de coragem e a cara de pau – e dei meu grito de liberdade. Com todo o respeito. Estão todos convidados.

Sofá, vinho, café, conversa.

A mocinha nem é tão mocinha assim e o mocinho que só se interessava por mocinhas escolheu a mocinha que já tinha até passado da idade de correr com os lobos. O filme em nada a identificava, mas prendeu a atenção da mocinha da vida real. Apenas não o suficiente para detê-la de notar o conjunto de 6 pequenas manchas no sofá. Uma cor estranha, um tom puxando para o marrom, com tamanhos e formas diferentes.

Imediatamente o enredo era outro. Outros. As manchas, que agora eram donas da sua atenção por completo, a lembraram do momento que aquele rapaz a interrompeu no meio de uma história interessantíssima sobre sua viagem a Londres – devia ser essa, que outras tão interessantes teria ela para contar? – com aquela expressão peculiar de alguém que sabe que fez merda, segurando a taça em uma das mãos e lambendo os dedos para conter o vinho que ainda escorria. Tinto. Bronca. Seguida de mais uma história, algumas risadas e algumas horas de sexo.

Ela sorriu: “Belo enredo para uma peça de teatro, esse sofá”. O assento retrátil oferece real perigo à vida uma vez que, ao se apoiarem no lugar errado, o sofá tombará levando os dois ao chão, possivelmente até cairá sobre os corpos. Mas esse medo não a impediu de se deixar continuar sendo beijada até que o sofá, como que por encanto, voltasse sozinho ao seu lugar, e que ela então se percebesse novamente sobre ele – e sobre o homem que a derrubou no chão. Não, a culpa era do sofá.

Quantos primeiros beijos o sofá já presenciou? Quantas histórias já ouviu e mais, quantas já pode contar?

Tem aquela do rapaz de coração partido, que sabia que ela não conseguia decidir onde colocá-lo no apartamento novo tão pequeno. E mesmo que a decisão tenha sido só dela, outro rapaz desfrutou do conforto de poder enterrar a cabeça nas almofadas macias do encosto – e nas de seu colo também.

Verdade que nem só de sacanagem e amor vive o sofá. Cinza. Clarinho, quase poderia ser prateado. A preocupação era ter uma capa. Mesmo sabendo que os amigos são adultos, não custa manter sua cor imaculada. “Não toma café sentada no sofá!”, “Por favor, se for fumar fique em pé”, “Tá comendo bolacha no sofá? Toma, tem um pratinho aqui…”. Mas a mocinha sabia os limites, sempre tomava cuidado, então usava o sofá quase que inadvertidamente, para qualquer atividade. E na presença de todos aqueles que foram privados do conforto do sofá por causa da sua neurose, aquela xícara, daquele café solúvel horrível saltou de sua mão quase que como se tivesse vida própria. E lá se foi a virgindade do móvel.

E o que foi mesmo que levou a mocinha a fazer as unhas sentada no sofá? A mancha do esmalte ‘rosa chiclete’ foi escondida na almofada virada do lado contrário. Mas eis que ela resurge, depois da nova faxineira deixar o ferro de passar roupa esquentando, apoiado na tal almofada. E agora, qual mancha mais importante esconder? Ou mostrar? Qual a melhor história por trás dela? Vai-se trocando o lado conforme o momento…

Tem também a mancha enorme, que ocupa quase todo o assento direito do sofá, cuja procedência já ficou esquecida. Mas a mocinha-que-não -é-mais-tão-mocinha-assim no filme chora. Chora um dia e uma noite inteiros e o dia seguinte também. Porque o mocinho com problemas de autoestima não a quis. E a mocinha da vida real volta para a história de mentira. O que a leva mais uma vez a devanear sobre as manchas em seu sofá. Quantas histórias suas próprias amigas dividiram com ela sobre esse tipo de mocinho. Quantas nas quais ela foi personagem?

Pensa que se um dia se mudar, pode deixar o sofá para o próximo morador, com uma carta escondida sob uma almofada, com cada uma das histórias que se lembra de ter vivido ali. Mas que agora estava exausta, ia aproveitar o final de tarde – e do filme – e tirar uma pestana sobre essas histórias todas, pegar fôlego para proporcionar-lhe mais algumas. Ao sofá. Talvez.

A merda emocional

A merda emocional fede. Fede porque é merda. Logo, incomoda. O problema é que não incomoda apenas aqueles cujos cus a cagaram. O cheiro vai se esgueirando e entranhando nas narinas alheias. Eventualmente, os alheios se acostumam de forma a nem sentirem mais o odor!!!
Coitados, os alheios se lavam compulsivamente na tentativa de eliminar o podre efeito da merda emocional. Como o sabonete nem
sempre resolve, é preciso apelar para a soda cáustica. O problema é que junto com a merda emocional – que nem ao alheio pertence – o ácido corrói toda a carne quentinha, rosa e saudável que ainda tem cheiro doce.

Verão, cupim e ódio

Agora o verão chegou e junto com ele vieram os cupins. Eu chego do trabalho à noite e vejo essas coisas nojentas sem as asas, rastejando no chão do apartamento. Eles invadem a casa por volta das seis da tarde. Eu não sei exatamente qual é o ciclo de vida deles, mas desconfio que eles entram por frestas ou atravessam paredes. Devem ficar voando atrás de luz e depois de algum tempo aterrisam no chão sem seus aparatos de voo. O que me intriga é o que os atrai, uma vez que não tem luz em casa quando eu não estou. Do que eles estão atrás? O que além de me infernizar essas coisas desejam? Eu abro os armários e cai aquela farofa da madeira que eles comeram. Às vezes é um montinho no chão, em algum canto. Eu pego o aspirador enfurecida. Monto a mangueira no aparelho, e vários tubos azuis que se conectam a mangueira e uns aos outros até surgir um longo equipamento. É um processo difícil, e algumas vezes até doloroso. Experimenta prender a ponta do dedo entre um cano e outro. E o nervosismo e a fúria dificultam a coordenação, parece que os tubos teimam em não encaixar enquanto os cupins provavelmente riem da minha cara. Finalmente eu conecto o cabo de força na tomada e piso no botão mágico. O som do motor do aspirador parece solidarizar com o meu ódio. O meu coração provavelmente estaria fazendo o mesmo barulho, se pudesse. Eu passo o bico da mangueira fazendo tal pressão no chão com a ilusão de que isso vai lhes causar alguma dor. Há instantes durante o processo nos quais penso se mesmo depois de sugados eles continuam vivos dentro do aspirador fazendo uma festa e esperando o momento certo para de lá saírem e exercerem vingaça – rindo mais uma vez da minha cara. Mas o prazer se arrebata-los é sempre maior e logo esqueço que eles podem se voltar contra mim. Desmonto e guardo o aspirador calmamente dentro da caixa e depois no armário. Tomo banho, me alimento, fumo um cigarro, coloco meu pijama e me acomodo na cama para a ler um livro. E é nesse momento que descubro um deles passeando pelo chão do quarto. Parece uma lesma rastejando. Eu tento ignorar, continuar com a minha leitura. Volto os olhos para as linhas e mais linhas de palavras. Mas o cupim não sai do meu pensamento. E então ele, um único ser, vence a batalha da gangue que eu exterminei. Sou obrigada a levantar da cama para mata-lo. Não gosto de correr o risco de um deles andar sobre a minha pele de madrugada.