Das coisas pequenas

Nasceu a decisão de prolongar a primeira, de me resignar diante da observação quase ingênua, de aceitar que às vezes as borboletas preferem repousar a voar, de entender as ordens que o organismo dá e se contentar com um cheiro no travesseiro, de saborear o mau humor como se fosse um afago, de perceber que a lembrança através de uma música é muito mais que um afago, de sentir que estar empatada em primeiro é melhor do que estar sobre todas as outras coisas, de constatar que está em primeiro – empatada com todas as outras coisas, de ter orgulho da escolha diária, da certeza que só tem amanhã enquanto esse for o desejo mais honesto, da ordem crescente para tudo, de aproveitar o que ficou de todo o resto para ser melhor aqui, de não ceder às artimanhas que a própria cabeça tem, de abrir sem precisar entregar pedaços, de guardar a raiva até ela se transformar em bem de novo, de ser feliz por ver feliz, de respeitar o mais antigo dos remédios, até entrar pelos ouvidos a declaração mais esperada e, por fim vencida, descobrir que o coração já o sabia havia muito.

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